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7 Pecados da
liderança atual
João A. de Souza
Filho - Dezembro de 2009
Ao longo dessas quase
cinco décadas de ministério pastoral comecei a
observar a tendência da igreja brasileira e os rumos
que tomou. Depois que li uma pequena nota de Renato
Vargens no blog http://www.pulpitocristao.com achei
que poderia contribuir acrescentando 7
características da nova liderança pentecostal. Com o
surgimento dos movimentos pentecostais novos,
comumente chamados de neopentecostais, algumas
características se tornam evidentes na liderança
dessa parcela eclesiástica.
Contrariamente às
recomendações de Pedro aos líderes da igreja de que
o líder deve ser (1) testemunha (mártir) dos
sofrimentos de Cristo; (2) de que não deve exercer o
pastoreamento por constrangimento, isto é, obrigado
a pastorear como se a igreja dependesse dele; (3) de
que não deve andar de olho no dinheiro alheio
(sórdida ganância) e (4) de que não deve ser
dominador do povo, ou do rebanho porque este é de
Deus, muitos dos atuais líderes da igreja,
especialmente os que ostentam o título de apóstolos
agem no sentido oposto. Procure ler o texto de 1
Pedro 5.1-4.
A seguir colhi sete
características dessa liderança atual – que não é
apenas da liderança neopentecostal, mas também de
muitos líderes de igrejas pentecostais históricas.
1.
Autoritarismo.
Tais líderes advogam a si
o direito de ter a palavra final em questões
doutrinárias e de práticas cristãs. Crêem que podem
criar novos padrões de ensinamento e neles atrelar a
congregação. Era assim também no passado quando
pastores de denominações pentecostais decidiam o que
o povo devia usar, o que pensar e em como viver.
Felizmente algumas denominações amadureceram e
abandonaram tais práticas que vêm sendo adotadas com
grande ardor pelos novos líderes pentecostais. As
pessoas são orientadas a viverem conforme o
pensamento do líder e de maneira a agradá-lo. A
“doutrina” ou ensinamento apostólico foi por eles
aperfeiçoado, porque tirou do povo o direito à vida
e de decidir o que fazer e de como viver.
2. Dominadores
do rebanho.
Hoje os apóstolos, bispos,
presbíteros e pastores – não importa o título que
ostentem – decidem se os membros devem celebrar o
Natal, os alimentos que devem comer, as festas que
podem participar, os DVDs que devem assistir e quais
igrejas ou congregações podem visitar.
Tal autoritarismo não é
próprio apenas de igrejas neopentecostais, mas
também de alguns que se dizem “igreja” sem nome;
comunidades cristãs, etc. que mantêm sob regras
rígidas o comportamento e o estilo de vida de seus
membros, ou discípulos. É possível ver este
autoritarismo em várias denominações também. Nunca
ouse pensar ou agir de maneira que contrarie seu
líder! O líder é o novo paradigma ou modelo de fé a
ser seguido, e não os modelos da Bíblia.
3. Ganância
financeira e luxúria.
A ostentação de riqueza, o
ganho fácil e a confortável vida movida a aviões
particular, helicópteros e festas não é própria
apenas dos neopentecostais, mas também de outros
segmentos da igreja – uma dessas igrejas, até bem
tradicional, em que seu líder se locomove para a
casa da montanha de helicóptero, enquanto exige que
seus membros nem televisão possuam!
Enquanto milhares de
obreiros residem em casas modestas no meio de sua
comunidade, ao nível do povo que pastoreiam, vivendo
na simplicidade, buscando o mínimo de conforto,
outros se afastam do meio do rebanho e passam a
viver em condomínios inacessíveis ao povo. Sua
congregação não tem acesso a casa deles –
diferentemente de quando nossa casa estava aberta
aos irmãos. Essa é a nova cara da liderança
eclesiástica da igreja brasileira.
4. Usam o
púlpito como arma de ataque.
Por trás do carisma que
lhes é peculiar tais ministros fazem o que querem
com o povo; se justificam, demonstram humildade e
santidade e aproveitam para atacar sutilmente os que
lhe desobedecem as ordens. Frases como “aconteceu
tal coisa porque não ouviu o homem de Deus” é comum
ouvir de seus lábios. É a justificação de uma
aparente santidade. As pessoas precisam vê-los como
homens de Deus, líderes espirituais íntegros; no
púlpito diante de seu povo riem, choram, profetizam,
pulam, gesticulam e pregam mensagens de
prosperidade. Assim, conseguem encobrir do rebanho
suas verdadeiras intenções, para que este não se
interesse em saber como é a vida deles no dia a dia
de sua vida particular.
E grande parte dos crentes
defende o estilo de vida de seus líderes, e se dobra
perante eles como faziam os escravos diante de seus
senhores.
5. A
sacerdotização do ministério.
Alguns desses novos
líderes criaram a nova casta de “levitas” que são os
que cuidam do louvor da igreja, mas criaram também a
“família sacerdotal” que é composta do líder e de
seus familiares, num atentado grotesco ao verdadeiro
sacerdócio de Jesus Cristo. Muitos, ainda que
reneguem publicamente tal conceito, ostentam-no no
ensino aos seus líderes, isto é, estes são
orientados a considerá-los sacerdotes de Cristo a
serviço do povo. “Nós somos sacerdotes” de Deus para
cuidar do rebanho, dizem, quando biblicamente toda a
igreja é povo sacerdotal!
6. O
reino deles é deste mundo.
A nova liderança dos
neopentecostais tem outro foco que não é o reino de
Deus futuro, mas o reino deles, agora. Eles têm
prazer nas coisas do mundo. Seu império particular e
o império de sua denominação ou de suas comunidades
constituem o reino deles na terra. Enquanto todos os
demais trabalham para a vinda do reino, esses novos
líderes creem que estão no reino, e que já são
príncipes de Cristo aqui na terra. E para viver como
príncipes, formam seu séquito de seguidores que os
servem humildemente. Enquanto Jesus apontava para a
chegada iminente do reino de Deus, a nova liderança
da igreja crê que vive o reino, aqui e agora!
Por isso intrometem-se na
política, pensando que por ela governarão na terra e
trarão o governo de Cristo aos homens. E, da mesma
forma que entram na política e buscam para si
títulos políticos, se prostituem com o sistema e
podem ser vistos agradecendo a Deus pelas graças
recebidas, como no caso dos deputados evangélicos
neopentecostais do Distrito Federal. Estes são a
pontinha do iceberg, porque existem milhares de
pastores vendidos ao mundo e que recebem polpudas
somas de dinheiro para transformar sua congregação
em curral eleitoral.
7.
Acreditam que o juízo dos crentes não é para eles;
porque estão acima dos demais.
Por isso, perderam o temor
de Deus e nem imaginam o que lhes espera no dia do
juízo de Cristo, quando todos haveremos de prestar
contas. Quando se perde o temor de Deus leva-se uma
vida desenfreada de pecado, escondida sob o manto da
espiritualidade e da vida piedosa.
Criticam a Balaão mas
vivem como ele, profetizando em nome de Deus, mas de
olho nos bens de Balaque – porque são insaciáveis
financeiramente. São estes os novos líderes que à
semelhança de Coré, Datã e Abirão defendem seu
sacerdócio e proclamam que também “têm direitos
espirituais”, como nos dias de Moisés. À semelhança
de Caim pecam voluntaria e conscientemente,
esquecendo que já receberam na testa o sinal de Deus
que os manterá sob juízo e condenação.
À luz dessas sete
características é possível identificar o tipo de
igreja que se frequenta, o tipo de líder que se
obedece e decidir se deve seguir o caminho do
discipulado cristão ou se fará parte do novo reino
dos deuses da terra.
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